quarta-feira, 11 de abril de 2012

Dom Petrini fala sobre aborto de anencéfalos

Nesta quarta-feira, 11, o Supremo Tribunal Federal (STF), julga uma ação impetrada em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) que pede a descriminalização do aborto de fetos com anencefalia (ausência parcial ou total do cérebro).
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Defensora da vida, a Igreja tem se manifestado contrária à descriminalização do aborto de anencéfalos. Na sexta-feira, dia 6, a CNBB divulgou nota em que convocou os cristãos a realizarem nesta semana Vigília de Oração pela Vida. Em São Paulo, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e o bispo auxiliar dom Milton Kenan Júnior também manifestaram-se sobre o assunto.
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A seguir, publicamos a íntegra da entrevista de dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao jornalista Daniel Gomes, da Pascom Brasilândia. Parte do conteúdo está veiculada no jornal O São Paulo, semanário da Arquidiocese de São Paulo, em reportagem publicada nesta semana.
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A CNTS alega que a não-legalidade do aborto de anencéfalos é uma ofensa à dignidade da mãe. A esse argumento se juntam alguns outros dos defensores do aborto como a de que os anencéfalos seriam vidas inviáveis e que é preciso diminuir o alto número de anencefalias do país. Como a Comissão Episcopal para a Vida e Família avalia tais argumentações? A legalização do aborto de anencéfalos é um atentado à vida?
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Dom João Carlos Petrini: O nascimento de uma criança portadora de anencefalia é um drama para a família e, especialmente para a mãe, e é justo pensar formas de ajuda, de apoio, de manifestação de solidariedade com a mãe para que ela não se sinta sozinha para enfrentar esse drama. Persuadi-la que o melhor é abortar o seu filho, revestindo de legalidade o ato de eliminar o filho-problema, não é a melhor resposta, não usa plenamente a razão porque não leva em consideração todos os fatores presentes: não considera o drama que acompanhará aquela mulher pela incapacidade de acolher o seu bebê e pela decisão de expulsá-lo de seu ventre. Não considera o direito do filho a nascer. A objeção de que é destinado a morrer em breve tempo não procede. Por acaso, há alguém que nasce e não tem como última meta a morte? Podendo prever a morte daqueles que não chegam à maturidade, iríamos eliminá-los também? Quem pode determinar o prazo mínimo para que uma vida humana seja acolhida?
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Na avaliação do senhor, uma eventual legalidade do aborto de anencéfalos, a partir da decisão STF, pode abrir precedente para outras flexibilizações do aborto e permissividades para demais ações de eugenia?
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Dom Petrini: Alguns princípios constituem como colunas que sustentam a vida social. O mais importante deles é a inviolabilidade da vida humana, sua indisponibilidade, por não se tratar de alguma coisa, mas de alguém que não é fabricação nossa. Uma vida inocente não pode ser negociada no mercado, nem nos parlamentos e nem nos tribunais. Abrindo exceção a esse princípio, abre-se uma brecha não só na lei e na prática do aborto, mas na consciência das pessoas: entende-se que uma vida que traz problemas pode ser eliminada. Uma lei ou a sentença de um Tribunal não só regulamenta um tema problemático, mas tem um extraordinário poder de formar a consciência coletiva. A recente difusão da violência no Brasil está certamente associada a estas brechas.
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Diante da iminente apreciação do STF sobre o caso, que atitudes a Comissão Episcopal para a Vida e Família espera dos cristãos e como pretende divulgar e firmar a posição contrária da Igreja à descriminalização do aborto de anencéfalos?
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Dom Petrini: A Comissão Episcopal para a Vida e a Família espera dos cristãos uma postura mais clara e explícita de valorização da vida humana desde a concepção até a morte natural, dando testemunho que os possíveis dramas, quando abraçados com amor, tornam-se fonte de maturidade, riqueza humana extraordinária. Não fugir do drama, mas abraça-lo é o caminho de uma dignidade e de uma grandeza humanas sem comparação. Esta postura, na contramão da cultura da banalidade hoje dominante que desvaloriza tudo, inclusive uma vida humana em formação no ventre materno, pode documentar que a morte não é solução, e que maior que a morte é o amor de Cristo que a venceu. Disso nós somos testemunhas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jovens da Brasilândia acolhem Cristo e manifestam suas cruzes

Por Karla Maria, reportagem publicada no O SÃO PAULO

2000 anos depois de Cristo ter sido pregado na cruz, a juventude da periferia ainda carrega as suas. “A gente vê tantos jovens na rua marginalizados pela violência, bebida, drogas...”, o desabafo é de Jaime Miranda Rodrigues, 20 anos, coordenador da Pastoral da Juventude no Setor Freguesia do Ó.

Jaime é também coordenador do Grupo Jovens do Ó, da Paróquia Nossa Senhora da Expectação, um dos 60 da Freguesia que lotaram um ônibus com destino ao Mercado Municipal de Pirituba, para a caminhada da juventude com o bispo, dom Milton Kenan Júnior, no Dia Mundial da Juventude, celebrada nos Domingos de Ramos.

Eram cerca de 500, já em clima de Jornada Mundial da Juventude, com oração em procissão, rumo à Paróquia São Luiz Gonzaga, para a celebração do Domingo de Ramos. A Paixão do Senhor foi proclamada por meninas, jovens da Paróquia São Judas Tadeu, Vila Miriam; a animação, o canto ficou por conta da juventude da Paróquia Nossa Senhora da Paz e comentário com o Ministério Jovem da RCC da região. Durante sua homilia, dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar na Região Episcopal Brasilândia, convidou os jovens a seguirem o exemplo de Jesus Cristo.

“Jesus na Cruz é para nós modelo a ser imitado. Para você jovem que busca a felicidade. Vamos juventude, não vamos nos deixar seduzir pelos caminhos fáceis”, disse lembrando das ciladas em que muitos caem: alcoolismo, drogas, violência. A Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, que trabalha em defesa da vida de crianças e adolescentes também marcou presença na celebração.

Ao final da celebração, dom Milton convidou a juventude da região a se preparar para bem acolher os peregrinos que participarão da Pré-jornada. Estima-se que a Arquidiocese receba mais de 150 mil jovens. Para Leandro Silva, referência da PJ na Brasilândia, “temos clareza que a Jornada Mundial da Juventude é um grande momento e um evento que acolhe o ícone e a Cruz, a PJ busca introduzir em sua mística os ícones da JMJ, afinal nós somos e estamos em comunhão com a Igreja”.

Em carta dirigida à juventude, o papa Bento 16 orientou aos jovens “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (4,4) - tema do Dia Mundial da Juventude nos é dado de uma exortação da Carta de São Paulo apóstolo aos Filipenses. “Busquem a alegria no Senhor: a alegria da fé, é reconhecer cada dia sua presença, sua amizade: “O Senhor está próximo!” (Fil 4,5); é colocar nossa confiança Nele, é crescer no conhecimento e no amor Dele”, escreveu em sua mensagem aos jovens.

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