sexta-feira, 13 de junho de 2008

Caça de votos nas comunidades

Cilto José Rosembach, assessor da Pascom

No período eleitoral, as comunidades são assediadas pelos canditados. É importante destacar que, há candidatos e candidatos. Há os que rondam as comunidades para oferecer doações: material de construção, projetos de obras, tinta, equipamentos de som, ônibus para o passeio e outros benefícios.

Alguns candidatos se fazem acompanhar por lideranças influentes na região ou na comunidade. Freqüentam missas e celebrações, até se apresentam para fazer uma leitura, ou usar a palavra na hora dos avisos e recados.

Bem, há orientação Bíblica para esse tipo de situação? Em Mt 6,1-4, há uma orientação clara sobre a esmola: seja dado sem querer aparecer, receber elogios, agradecimentos, que seja dada em segredo, ou seja, dê de graça o que de graça recebeste. Em (Mt. 10,8) a doação é graça, não se espera e não se pede nada em troca, não se barganha, não é comércio.

Aos que desejam usar um espaço durante a celebração e se oferecem para proclamar um texto bíblico, nada entendem sobre a importância da Palavra de Deus. Recordo: quem deve estar em evidência é a Palavra de Deus. O leitor ou leitora, são simples instrumentos desta Palavra, são mediadores que emprestam a sua voz.

Há uma terceira situação escandalosa. É o candidato que espera o momento dos avisos da comunidade. Ele se faz apresentar por uma liderança, diz que vai dar um recado importante, e se apresenta como candidato a vereador, por exemplo.

Lideranças de comunidades que apresentam candidatos políticos nas condições acima ou agem de má fé ou são ingênuas. Os políticos não são nada ingênuos, pelo contrário são muito espertos. Durante a celebração da missa ou da celebração da Palavra na comunidade não se abre espaço, em nenhum momento, para nenhum candidato às eleições.

Sobre doações, a legislação eleitoral é muito clara. A lei 9.840 diz o que é proibido a qualquer candidato: “doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública.”

É claro que o cristão não pode ficar omisso diante do processo eleitoral. Pois, todos somos políticos, e “política tem que ser a arte de administrar a felicidade de todos”. Mas para apresentar e debater com candidatos, há outros momentos que a comunidade pode e deve criar, a critério dos agentes de pastoral, do padre e dos Conselhos de pastoral e administrativo, que juntos devem tomar as decisões.

Lembrem-se há muitos candidatos oportunistas que usam do espaço da comunidade para fazer sua campanha. Portanto, é preciso conhecer a historia do candidato, com quem ele anda o que fez e como fez. Se de fato está do lado do povo mais necessitado, que projetos ele tem, são projetos que defendem a vida. Suas propostas são de fato viáveis para se por em prática, se é coerente com o que diz, faz e vive. Com que partido está comprometido e com quem o partido faz alianças, etc.

Saibam que: Voto não tem preço, tem conseqüências.

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