sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dom Odilo anuncia novo bispo da Brasilândia

por Cilto José Rosembach e Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

O monsenhor Milton Kenan Júnior, 46 anos, será o novo bispo auxiliar da Região Episcopal Brasilândia. A confirmação foi feita na sexta-feira, 27 de novembro, pelo cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, em reunião com o presbitério regional na paróquia Santos Apóstolos, Jardim Maracanã.

Nascido em 24 de novembro de 1963 em Taiúva, região norte do estado de São Paulo, Milton Kenan Júnior ocupa atualmente a função de pároco na Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Bebedouro, diocese de Jaboticabal (SP). O religioso é graduado em filosofia, pelo Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), e em teologia, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, além de ser mestre em teologia espiritual pela Faculdade de Espiritualidade Teresianum (Roma - ITA).

Dom Milton foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo em 28 de outubro pelo papa Bento XVI. A cerimônia de ordenação episcopal será realizada na cidade de Jaboticabal, às 16h, do dia 27 de dezembro. Segundo o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, o novo bispo auxiliar será apresentado no dia 25 de janeiro de 2010 na Arquidiocese de São Paulo, em missa a ser celebrada às 10h na Catedral da Sé. A apresentação na Região Brasilândia deve acontecer em 06 de fevereiro, às 15h, na Paróquia São Luiz Gonzaga, Vila Bonilha – Pirituba.

Outros assuntos tratados na reunião do presbitério

Além de comunicar a nomeação do novo bispo regional, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer relatou sua visita ad limina, realizada a Roma entre os dias 09 e 19 de novembro, quando se encontrou com o papa, visitou as principais secretarias no vaticano e peregrinou aos túmulos de Pedro e Paulo e por outras igrejas com testemunho histórico da fé.

Dom Odilo destacou a referência feita pelo papa em discurso aos bispos, sobre a situação das crianças, jovens, famílias e destacou a necessidade de garantir uma formação ética, para se ter uma consciência sólida. “O papa esta preocupado mais com as pessoas do que com a organização” destacou o cardeal.

A reunião do presbitério teve ainda um momento de formação com o padre Antônio Manzato, com o tema “União Presbiteral”. Manzato destacou que a fraternidade presbiteral deriva do sacramento da ordem e fez referencia à sucessão dos apóstolos, que assumiram o pastoreio à missão de Jesus coletivamente. Estes foram sucedidos pelos bispos que formam o colégio episcopal, portanto assumem a missão da igreja coletivamente. Assim, o bispo é referencia da unidade da Igreja na diocese e o padre tem missão em uma igreja local e pertence à igreja em nível universal.

Para Manzato, a não-participação do presbitério é a negação do sacramento da ordem. Daí a necessidade da fraternidade, a co-responsabilidade na missão. O outro é um irmão na missão e não um concorrente, ou carreirista. Neste contexto, pode-se garantir um rosto da Igreja na Brasilândia com um projeto pastoral definido, na caminhada do povo.

Clique aqui e veja fotos da Reunião dos presbiteros da Brasilândia

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A comprovada desigualdade racial brasileira

Por Daniel Gomes, jornalista e moderador do Blog da Pascom

O Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro - feriado em mais de 750 cidades brasileiras - rememora o assassinato de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, em mesma data no ano de 1695. Desde 1978, o Dia da Consciência Negra é celebrado no país, mas só em 1995 tornou-se feriado em uma cidade, Rio de Janeiro. Em 2003, a lei federal n°10.639, oficializou a data referencial para o movimento negro.

Os afrodescentes - negros e pardos - correspondem a mais de 50% da população do país. Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD, divulgados em 2008, revelam que 6,8% dos brasileiros declaram-se negros e 43,8% identificam-se como pardos. Estudos recentes sobre essa população comprovam uma significativa desigualdade racial expressa no mercado de trabalho, qualidade de vida, níveis de escolaridade, índices de criminalidade e representação política e religiosa.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, Dieese, 21,8% dos negros em idade produtiva estão desempregados no país. Na Região Metropolitana de São Paulo, 16% desses estão sem trabalho, e entre os empregados a diferença salarial em relação aos brancos chega a 56,3%. Dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, de 2006, indicam que no Brasil, em média, os brancos tem remuneração 93,3% superior aos negros.

Os afrodescendentes trabalham por mais tempo e são mais vulneráveis às intempéries do mercado. Em 2006, 34,7% dos negros acima de 60 anos ainda trabalhavam, contra 29,3% dos brancos na mesma faixa etária. No auge da crise econômica, em janeiro de 2009, negros e pardos representavam 52,4% dos demitidos nas seis principais regiões metropolitanas do país, segundo o IBGE. As oportunidades profissionais também são diferenciadas. Em 2006, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, revelou que os brancos tem 30% a mais de chances de conseguir um emprego que os negros e 120% mais possibilidades promoção profissional.

O impacto direto das oportunidades desiguais está refletida em outros indicadores sociais. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos negros brasileiros tem valor 0,753 contra 0,838 dos Brancos – quanto mais próximo de 1, melhor a condição de vida. Os negros são os maiores proprietários de assentamentos subnominais, instalados em lugares inóspitos sem saneamento básico, abastecimento de água ou coleta de lixo: 5% dos negros são chefes de família em casas nessas localidades contra 2,4% dos brancos, segundo o "Retrato de desigualdade de gênero e raça", divulgado pelo Ipea em 2008.

No que se refere ao nível de escolaridade dos afrodescendentes, há avanços no acesso a educação. De 2002 a 2006, houve aumento de 31,4% no número de estudantes negros e pardos nas universidades públicas e de 124,5% nas universidades particulares. Em 2006, 97,7% das crianças negras entre 7 e 14 frequentavam regularmente o ensino fundamental e 37,4% dos adolescentes negros estavam matriculados no ensino médio.

Os indicadores de criminalidade são preocupantes. Em 2005, 60,2% das pessoas assassinadas eram negras ou pardas. Entre 2007 e 2008, segundo o Relatório Anual de Desigualdades Raciais, o número de negros assassinados no país era duas vezes maior que o de brancos e a maioria dos presos em regime fechado eram afrodescendentes.

A população afrodescendente do país ainda tem baixa representatividade em cargos políticos e altas funções religiosas. Dos 513 deputados federais eleitos em 2006, apenas 11 eram negros e outros 35 pardos. No Senado, dos 81 senadores no cargo em 2007, quatro eram pardos e um negro. Na Igreja Católica, segundo o Centro de Estatísticas Religiosa e Investigações Sociais, Ceris, em 2007, 6,3% dos padres eram afrodescentes e entre os mais de 434 bispos da CNBB, apenas 2,5% se declaravam negros ou pardos.

domingo, 15 de novembro de 2009

A voz de São Paulo na Confecom

Representantes da sociedade civil, poder legislativo municipal e empresariado de comunicação (exceto os das grandes mídias) participaram em São Paulo da 1ª Conferência Municipal de Comunicação, Confecom. O evento realizado em 13 e 14 de novembro, na Câmara Municipal, permitiu a apresentação de propostas para a regulamentação das políticas de comunicação no país. Os apontamentos dos mais de 120 participantes, divididos nos eixos temáticos Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres serão apresentados na etapa estadual da Confecom, de 20 a 22 de novembro.

Referente à Produção de Conteúdo, destacam-se as propostas: 50% do conteúdo exibido em tevê aberta e por assinatura deve ser produzido no Brasil; fim da publicidade voltada para crianças e adolescentes; uma empresa não poderá ser produtora e veiculadora de conteúdo ao mesmo tempo; a midiatização via telefonia celular deverá veicular produções que não sejam as das grandes mídias; Quem detém concessões será obrigado a apresentar um projeto anual de comunicação para apreciação da sociedade, sob pena de perder a outorga; estímulo à produção de conteúdo acessível às pessoas com deficiência; veto à veiculação de conteúdos preconceituosos sobre mulheres e minorias.

Em relação aos meios de distribuição propôs-se, entre outras: a participação da sociedade civil na concessão e renovação de outorgas de rádio e tevê; fixar para cinco anos a validade da concessão, após a primeira renovação; proibir as concessões para igrejas, bem como impedir o "aluguel de horários religiosos"; fiscalizar o proselitismo religioso e político em rádio e tevê; criação de um fundo às emissoras públicas através da taxação dos canais comerciais e da venda de aparelhos de tevê, além de doações e recursos do Estado; impedir que as verbas públicas federais possam ser usadas para saldar dívidas das empresas privadas de comunicação; sistematizar a distribuição das mídias regionais impressas através dos Correios; tornar obrigatório, que na tevê digital, cada emissora reserve um canal para a transmissão da tevê pública.

No eixo temático, Cidadania: Direitos e Deveres, destacam-se as sugestões: da defesa da obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercício da profissão; serão atribuições do Conselho Nacional de Comunicação: fiscalizar o cumprimento da política nacional de comunicação, regulamentar a publicidade em rádio e tevê, promover conferências de comunicação a cada três anos, cassar a concessão dos veículos que instigam o proselitismo religioso, estimular a veiculação de conteúdo inter-religioso na mídia, punir os grupos que promovem a prévia criminalização das rádios comunitárias, garantir a valorização da língua portuguesa na mídia, barrar o monopólio do capital estrangeiro nas rádios e tevês, estimular pesquisas contra desigualdades de gêneros e estereótipos na mídia; a eleição dos conselheiros de comunicação deverá ser direta.

Os participantes do evento também fizeram sugestões para a política de comunicação na cidade, que serão encaminhadas ao legislativo municipal. As propostas apresentadas na etapa municipal da Confecom estarão em debate na etapa estadual. Para o evento que será realizado entre 20 e 22 de novembro, foram indicados 90 conselheiros municipais da sociedade civil, entre os quais representantes de instituições católicas e agentes de pastoral da Igreja. Na Confecom municipal não houve representação oficial dos coordenadores da área de comunicação da Arquidiocese de São Paulo e não há registro de que estejam inscritos para as discussões da etapa estadual.

sábado, 7 de novembro de 2009

A segurança pública na pauta da Pascom

Por Daniel Gomes, jornalista e integrante da Pascom Brasilândia

O 15° Encontro Regional de Comunicação promovido pela Pascom do Regional Sul 1 da CNBB teve como enfoque a preocupação da Igreja com as políticas de segurança pública e revelou a pouca abrangência do discurso católico na sociedade atual. O tema do encontro "Meios de Comunicação e Segurança Pública" foi refletido por mais de 80 participantes, entre os dias 30 de outubro e 1° de novembro, em Barretos (SP).

Na manhã de sábado, 31, o professor Lindolfo Alexandre de Souza, coordenador da comissão da Pascom da Arquidiocese de Campinas (SP) palestrou sobre a realidade da comunicação na sociedade e a maneira como a Igreja comunica-se com os fiéis. Lindolfo destacou que o mundo atual está alicerçado na comunicação, especialmente através das grandes mídias e redes sociais digitais, e que a Igreja deve evangelizar nesses espaços, opondo-se à lógica do consumo, que gera competição e, por consequência, comportamentos violentos.

A comunicação feita pela Igreja deve ser acompanhada de um amplo diálogo, interno e externo, e de ações cotidianas efetivas. "O grande desafio da Igreja na era midiática é ampliar o diálogo com a sociedade sem perder suas referências de evangelização", enfatizou.

Ainda no sábado, na parte da tarde, o casal Cloves e Marilse Costa, integrantes da Pastoral Carcerária Nacional, apresentaram dados sobre a realidade da população carcerária do país: existem mais de 450 mil presos em regime fechado, dos quais 86,5% não têm profissão. Os palestrantes destacaram as condições desumanas nas quais são mantidos os presos, o desamparo legal que sofrem e a falta de políticas públicas eficazes de ressocialização. Na avaliação de ambos, essas situações colaboram para o aumento da insegurança pública. "É uma bomba-relógio, se nada fizermos, vai explodir. Cada vez investimos mais em cadeias e menos em educação", lamentou Cloves.

Os palestrantes pediram uma participação mais incisiva da Igreja nas discussões de segurança pública. "Temos que falar sobre segurança pública na Igreja. Só precisamos saber como. Questionar pode ser um bom caminho. Essa é uma oportunidade para a Pascom comunicar para dentro", avaliou Marilse. Os palestrantes também abordaram a banalização da violência na mídia e debateram questões polêmicas como a privatização de presídios e o uso da força de trabalho dos presos nas obras da Copa 2014.

Após a palestra e baseados nas reflexões do encontro, os participantes reuniram-se nos grupos das oito sub-regiões do Sul 1 para o encaminhamento de propostas de ações da Pascom. No domingo pela manhã, cada grupo partilhou suas deliberações. Os apontamentos indicaram que a Pascom pode colaborar na discussão sobre a segurança pública, ao pautar a mídia sobre o tema, divulgar os trabalhos da Pastoral Carcerária e promover formações de comunicação com enfoque na temática da segurança pública.

Católicos na Conferência Nacional de Comunicação
No fim das atividades, houve uma reflexão sobre a participação dos católicos, em especial os agentes da Pascom, na etapa estadual da Confecom, que acontece em 21 e 22 de novembro na Assembléia Legislativa de São Paulo. "Temos a preocupação de que alguns grupos da Confecom decidam coisas que sejamos contrários. Tem gente querendo ganhar espaço e que não defende os ideais cristãos. Precisamos nos articular, irmos à conferência e termos delegados na Confecom", conclamou dom Vilson de Oliveira, bispo referencial da comunicação do Regional Sul 1 da CNBB.
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