sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Há um ano ele é dom Milton

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

“Posso imaginar a luta que enfrenta a grande periferia da cidade de São Paulo para fazer do evangelho a força de Deus para salvar aqueles que o acolhem. Desde já, minha oração e afeto a todo o clero e povo da Arquidiocese de São Paulo. Vamos caminhar juntos inspirando-nos no testemunho daqueles que nos precederam no serviço do evangelho".

Com essas palavras, em 27 de dezembro de 2009, no ginásio Alberto Bottino, na cidade de Jaboticabal, a 370 km de São Paulo, o então monsenhor Milton Kenan Junior assumiu diante de mais de três mil pessoas sua ordenação episcopal para atuar na Arquidiocese de São Paulo, como bispo auxiliar na Região Brasilândia.

Há um ano ele é dom Milton, mas não se esqueceu que um dia foi o padre Milton em duas paróquias de Bebedouro e outras duas de Jaboticabal. O paulista interiorano de Taiúva, hoje com 47 anos, chegou à Região Brasilândia em fevereiro e aceitou praticamente todos os convites para celebrar em diversas comunidades e paróquias, das mais sofisticadas até as mais humildes da Região.

Coerente com sua história sacerdotal e em sintonia com um de seus inspiradores, dom Helder Câmara, dom Milton Kenan Junior tem se destacado na Arquidiocese de São Paulo nos trabalhos junto às pastorais sociais. Em novembro, por exemplo, foi representante episcopal no evento Natal dos Sonhos, voltado à arrecadação de brinquedos para menores carentes, e durante todo ano de 2010 se dispôs a conversar com os diversos movimentos da igreja e com as mobilizações sociais organizadas.

Dom Milton também tem se mostrado aberto ao diálogo com o clero regional. Em dezembro iniciou a primeira transição delicada de seu episcopado: a mudança de párocos em três igrejas. Os impactos que as alterações provocarão a partir do fim de janeiro de 2011 ainda são difíceis de mensurar, mas dom Milton fez sua função, embora para a maioria dos paroquianos, e também para os sacerdotes, esse processo de mudança esteja sendo uma experiência dolorosa, especialmente para os sacerdotes que souberam conduzir os fiéis com os carinhos e cuidados de um pai.

Dom Milton Kenan Junior, receba os parabéns da equipe da Pastoral da Comunicação da Região Brasilândia. Desejamos-lhe boa sorte para a sequência de atividades episcopais e reafirmamos nossa disponibilidade em auxiliá-lo no cotidiano informativo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Conversa particular não é posicionamento público

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

De pequeno e desconhecido site, o Wikileaks tornou-se, equivocadamente, fonte de referência segura para a imprensa mundial a partir da obtenção ilegal de registros confidenciais de autoridades em todo mundo. O acesso a dados e conversas particulares de diversas personalidades chegou também às confidências da Igreja Católica.

Nas duas últimas semanas, repercutiram a suposta postura da instituição de dificultar os casos de investigação de pedofilia cometidos por clérigos na Irlanda e as conversas de dom Odilo Scherer e dom Cláudio Hummes, com cônsules norte-americanos.

O Wikileaks apresentou conversas do atual arcebispo de São Paulo com o cônsul-geral dos Estados Unidos, Thomaz White, datadas de outubro de 2007, nas quais o cardeal faz avaliações sobre o programa Bolsa Família, a perda de fiéis para as igrejas evangélicas, a imagem midiática do papa e atuação a Teologia da Libertação.

Há também no Wikileaks trechos de diálogos, de março de 2006, entre dom Cláudio Hummes e Christopher McMullen – à época, arcebispo metropolitano e cônsul-geral dos Estados Unidos, respectivamente - nos quais o religioso avalia o escândalo do mensalão e as similaridades políticas entre PT e PSDB.

Pois bem, algumas ponderações sobre o episódio Wikileaks//Igreja Católica são fundamentais: primeiro, ninguém é obrigado a prestar esclarecimentos de conversas informais que desenvolva fora dos espaços públicos, pois tais diálogos não representam um posicionamento oficial, seja do falante ou da Instituição que representa.

Nesse sentido, nem dom Odilo, nem dom Cláudio são obrigados a vir a público para esclarecer o que disseram no foro íntimo – essa exigência já começa a ser feita pelos “estilingueiros de plantão da Igreja Católica” - até porque as avaliações de ambos foram sobre aspectos conjunturais da Igreja e do país, não se referiram a dogmas. Some-se a isso, o fato de que em nenhum momento as convicções pessoais dos cardeais foram usadas para interferir no andamento dos trabalhos pastorais da Igreja em São Paulo.

Outro aspecto a ser destacado refere-se à problemática dos atos de pedofilia cometidos por alguns clérigos. Por dezenas de vezes, os porta-vozes da Igreja e o próprio papa Bento 16 mostraram-se decepcionados com esses acontecimentos e há hoje clara atenção e preocupação para que tais episódios não se repitam. A Igreja não está inoperante diante de alguns poucos padres que desonram a batina que vestem.

Por fim, a mídia em todo mundo precisa estar atenta à “Wikileaks Mania”, pois até as fontes aparentemente mais confiáveis podem falhar um dia e levarem junto a credibilidade do jornalismo. Apuração e checagem são regras básicas da profissão.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Setor Cântaros: 12 anos de superação

Por Juçara Terezinha e Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

Ao anoitecer do sábado, dia 05, a igreja Santa Terezinha, acolheu a celebração em ação de graças pelos 12 anos de trabalho do setor cântaros e pelos 25 anos de sacerdócio do padre Edson Jorge Feltrin. O clima era realmente de festa. Uma calorosa recepção e a alegria estampada nos rostos das lideranças não deixavam dúvidas do significado daquela celebração.

Estavam presentes os padres das quatro paróquias que formam o setor Cântaros: padre Valdiran Ferreira dos Santos, da igreja anfitriã, padre Konrad Konner, da paróquia Bom Pastor, padre Hilton de São Lourenço, da igreja São José, e padre Edson Jorge Feltrin, coordenador do setor e pároco da São Francisco de Assis.

Natural de Anita Garibaldi (SC), o filho de Samuel Feltrin e Zelinda Fernandes Feltrin, deixou a cidade natal ainda jovem e foi ordenado padre em 1985. Em 1987, padre Edson Jorge Feltrin tornou-se o primeiro pároco da igreja São Cristovão, em um dos bairros mais carentes da cidade de Lages (SC). Como integrante do clero na cidade de São Paulo, tem participado de comitês de ética em pesquisa em hospitais e na Região Brasilândia coordena o setor Cântaros e é o assessor da Pastoral da Saúde.

Durante a celebração foram lembrados os padres e agentes que ajudaram na organização do setor Cântaros: padre Bruno (em memória), padre Michel Forgot, Cilto José Rosembach, Daniel McLaughlin, Carlos Augusto (Neno), Irmã Brigida, e leigos engajados como Juçara Terezinha, José Eduardo de Souza, Edna Maciel, Janis Kunrath, Heidi Cerneka e outros que contribuíram com a história de luta e resistência. Após a missa, foi partilhado, em clima de festa, o bolo pelos 12 anos de vida do setor.

Instituído em 1998 pelo bispo então bispo regional dom Angélico Sândalo Bernardino, o setor Cântaros reúne quatro paroquiais: São José Operário, Santa Terezinha, São Francisco de Assis e Bom Pastor, as duas últimas fundadas no mesmo dia, 10 de dezembro de 1994. A elas estão atreladas 13 comunidades, nas quais os católicos são sinal de fé e esperança no Jardim Damasceno, Jardim Paraná, Brasilândia, Jardim Guarani, Vila Terezinha, Vila Isabel, Jardim Carumbé, Jardim Paulistano e Vila Nova Esperança.

O setor destaca-se historicamente pelo forte trabalho em comunicação, evangelização da juventude, em volta a situações de criminalidade, e lutas pelas melhorias das condições de vida dos moradores que vivem nas encostas de morros e que já foram vítimas de alagamentos e outros desastres naturais diversos, além da criminalidade. Uma das principais batalhas nos próximos anos será impedir que a construção do trecho norte do Rodoanel deixe sem lar milhares de famílias carentes.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A ação da Igreja diante da AIDS

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

No estado de São Paulo, nove pessoas morrem por dia em decorrência da AIDS. Em 2009, faleceram no país 11 mil pessoas por conta da doença e, a cada dia, estima-se que sete mil sejam infectadas pelo vírus em São Paulo. No estado, a AIDS é a principal causa de morte das mulheres entre 25 e 34 anos.

Esses e outros dados alarmantes foram revelados pela sanitarista Maria Clara Gianna, coordenadora do programa estadual DST/AIDS, em evento no Instituto Emílio Ribas, em 1° de dezembro, no Dia mundial de combate à AIDS.

A solução sempre proposta para conter o problema: a expansão de campanhas de incentivo ao uso de preservativo. Bem sabemos, que a Igreja Católica Apostólica Romana é contrária ao uso da camisinha (o profilático). A cúpula clerical, coerentemente defende a abstinência, a fidelidade e acima de tudo, o combate à banalização do sexo.

Em recente coletiva de imprensa na Cúria Metropolitana, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, enfatizou: “A Igreja Católica convida a todos para um comportamento sexual responsável e para a humanização da sexualidade. Se colocarmos muito destaque no preservativo, esquecemos o que é muito mais grave”. Destaque-se que o muito mais grave da aspas é a banalização do sexo, que tem entre outros impactos, por exemplo, o tráfico internacional de mulheres para a prostituição.

A Igreja está do lado que sempre esteve: defendendo a vida, claro que a seu modo e em choque com as conveniências do mundo moderno, afinal, usar o preservativo com parceiro eventual para não correr o risco de contaminação por DST é conveniente e seguro, mas, sinceramente, reduzir o sexo - ato de consumação extrema de um amor- a alguns minutos de prazer eventual é decente e ético?

Na mesma entrevista coletiva, dom Odilo esclareceu as declarações do papa Bento 16 sobre uma possível tolerância da Igreja ao uso de preservativo por pessoas prostituídas. “Não houve mudança na posição do papa ou da Igreja em relação ao uso do preservativo. No caso de pessoas prostituídas usarem o profilático para evitar que outros possam ser contaminados pelo vírus que elas têm, essas pessoas estão fazendo o primeiro passo de responsabilidade moral. Com isso, não fica aprovado, nem aconselhado o uso do preservativo”, enfatizou o cardeal.

A seu modo, a Igreja Católica atua no combate à AIDS e principalmente no acolhimento às pessoas portadoras de HIV bem como às mais vulneráveis ao vírus. Prova disso, é o trabalho realizado em todo o país pelos grupos de Pastoral da AIDS e da Pastoral da Mulher Marginalizada. Pela defesa da vida, a Igreja convida a uma mudança de atitude em relação à banalização do sexo. É coerente, portanto, que neste contexto, a discussão sobre a camisinha não ocupe o papel central.
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