sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A ação da Igreja diante da AIDS

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

No estado de São Paulo, nove pessoas morrem por dia em decorrência da AIDS. Em 2009, faleceram no país 11 mil pessoas por conta da doença e, a cada dia, estima-se que sete mil sejam infectadas pelo vírus em São Paulo. No estado, a AIDS é a principal causa de morte das mulheres entre 25 e 34 anos.

Esses e outros dados alarmantes foram revelados pela sanitarista Maria Clara Gianna, coordenadora do programa estadual DST/AIDS, em evento no Instituto Emílio Ribas, em 1° de dezembro, no Dia mundial de combate à AIDS.

A solução sempre proposta para conter o problema: a expansão de campanhas de incentivo ao uso de preservativo. Bem sabemos, que a Igreja Católica Apostólica Romana é contrária ao uso da camisinha (o profilático). A cúpula clerical, coerentemente defende a abstinência, a fidelidade e acima de tudo, o combate à banalização do sexo.

Em recente coletiva de imprensa na Cúria Metropolitana, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, enfatizou: “A Igreja Católica convida a todos para um comportamento sexual responsável e para a humanização da sexualidade. Se colocarmos muito destaque no preservativo, esquecemos o que é muito mais grave”. Destaque-se que o muito mais grave da aspas é a banalização do sexo, que tem entre outros impactos, por exemplo, o tráfico internacional de mulheres para a prostituição.

A Igreja está do lado que sempre esteve: defendendo a vida, claro que a seu modo e em choque com as conveniências do mundo moderno, afinal, usar o preservativo com parceiro eventual para não correr o risco de contaminação por DST é conveniente e seguro, mas, sinceramente, reduzir o sexo - ato de consumação extrema de um amor- a alguns minutos de prazer eventual é decente e ético?

Na mesma entrevista coletiva, dom Odilo esclareceu as declarações do papa Bento 16 sobre uma possível tolerância da Igreja ao uso de preservativo por pessoas prostituídas. “Não houve mudança na posição do papa ou da Igreja em relação ao uso do preservativo. No caso de pessoas prostituídas usarem o profilático para evitar que outros possam ser contaminados pelo vírus que elas têm, essas pessoas estão fazendo o primeiro passo de responsabilidade moral. Com isso, não fica aprovado, nem aconselhado o uso do preservativo”, enfatizou o cardeal.

A seu modo, a Igreja Católica atua no combate à AIDS e principalmente no acolhimento às pessoas portadoras de HIV bem como às mais vulneráveis ao vírus. Prova disso, é o trabalho realizado em todo o país pelos grupos de Pastoral da AIDS e da Pastoral da Mulher Marginalizada. Pela defesa da vida, a Igreja convida a uma mudança de atitude em relação à banalização do sexo. É coerente, portanto, que neste contexto, a discussão sobre a camisinha não ocupe o papel central.

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