sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Caos sob rodas e trilhos na periferia

por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

Imagine-se na seguinte situação, amigo leitor: você, cansado após mais um dia de trabalho e estudo, senta-se em um dos bancos de um ônibus urbano e começa ler um livro para por seus estudos em dia. O ônibus começa a andar, em alta velocidade, passa bruscamente por buracos e, de repente, você é obrigado a interromper sua leitura, porque o espelho auxiliar sob uma das portas do veículo cai sobre seu colo! E olha que sorte a sua: o espelho passou próximo da sua cabeça, mas não lhe atingiu.

Inimaginável? Ficção? Mais uma lenda urbana? Não! Realidade, que aconteceu comigo na noite de quarta-feira, 25 de agosto, na linha 971C Cohab, simplesmente na maior cidade do país. Evidentemente, imprevistos e acidentes acontecem com qualquer um, mas nesse caso, e em outros a que estão submetidos diariamente os paulistanos que utilizam o transporte público, o fenômeno pode ser resumido em duas expressões: desrespeito ao usuário e falta de manutenção preventiva.

Quase toda semana, especialmente em bairros periféricos como os da Região Brasilândia, os usuários de ônibus e trens pagam por um transporte coletivo desconfortável e ineficiente, que faz os trabalhadores perderem compromissos, estudantes se atrasarem para a escola, pacientes perderem horário de consultas, só para ficarmos em alguns exemplos.

Não é todo o dia que cai um espelho sobre o colo de um paulistano, mas pelo menos uma vez por semana, o trânsito fica mais lento na Cantídio Sampaio, uma das principais avenidas da região noroeste da cidade, porque um ônibus ou lotação está quebrado na via, muito estreita por sinal, e provoca congestionamento. Qual a fiscalização efetiva que é feita sobre esses veículos? Há uma preocupação com a manutenção preventiva da parte mecânica? Ou a ordem é “rodar até quebrar”?

Não menos dificuldades enfrentam os que se utilizam do transporte sobre trilhos na Região Brasilândia. Não temos Metrô. O projeto da linha 6 segue na fase de planejamento, a passos lentos. Aliás, a ausência de Metrô na Região, fruto de uma política que faz a cidade crescer só para um lado, foi um dos principais motivos para o “aborto” do estádio “Piritubão” para Copa de 2014, afinal de nada adiantaria ter uma arena ultramoderna, sem a infraestrutura de transportes eficientes por perto. E mais: Qual representante da FIFA teria coragem de viajar em um trem lotado da linha 7 da CPTM, às cinco ou seis horas da tarde, provável horário de alguns jogos da Copa?

A propósito, sobre os trens da Linha 7 da CPTM, na quinta-feira, 19 de agosto, cerca de 25 mil pessoas foram prejudicadas por um suposto defeito na alimentação da rede elétrica da linha entre as estações Jaraguá e Perus, que afetou a circulação dos trens por mais de duas horas. As plataformas das estações ficaram lotadas e houve registros de tumultos entre os usuários.

Mais que um problema operacional, o ocorrido tem relação direta com as prioridades de investimento do governo do estado na CPTM e no Metrô. No orçamento de 2008, por exemplo, metade do valor destinado ao Metrô foi aplicado na construção da Linha 4, Amarela, que circulará, na maior parte da extensão, por bairros centrais e nobres. Enquanto isso, houve a aplicação de apenas 8% dos recursos destinados a Linha 7 da CPTM. Os 92% restantes foram remanejados para outros projetos do “Expansão São Paulo”, talvez como parte dos R$ 4,6 milhões gastos em propaganda sobre o Metrô entre janeiro de 2007 e março de 2010, alta de 1800% ante os R$ 242 mil gastos até dezembro de 2006, conforme dados do Jornal da Tarde.

Segundo o governo do estado, a Linha 7 da CPTM receberá aprimoramentos até o final de 2010, com a reforma das estações de Francisco Morato e de Franco da Rocha, além da inauguração da estação da Vila Aurora, a promessa sobre essa última foi informada à reportagem do Blog da Pascom Brasilândia em dezembro do ano passado. Seguiremos de olho nas promessas e na deficitária estrutura do transporte coletivo na periferia de São Paulo e deixamos registrado, por fim, o mais recente compromisso assumido pelo governador Alberto Goldman, em 19 de agosto.

“A CPTM é ainda produto de um velho sistema, tem defeitos desse velho sistema. No prazo de um ano, dois anos, acredito, todo o sistema estará modernizado. Não é que não teremos mais falhas, elas existirão evidentemente, como há atualmente no Metrô. São equipamentos, são sistemas, são pessoas, ocorrem de fato incidentes, mas vão ocorrer muito menos”. Então tá, governador. Seguiremos à espera das melhorias.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Festa da Unidade encerra etapa regional do Congresso Arquidiocesano de Leigos

por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia
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A Região Episcopal Brasilândia realiza no sábado, 28 de agosto, na paróquia São Luis Gonzaga, setor Pereira Barreto, a Festa da Unidade 2010, missa solene anual que celebra a união das comunidades, paróquias e setores pastorais a serviço da Igreja. Este ano, a atividade será especial, pois marca o término da etapa regional do 1° Congresso de Leigos com o envio dos delegados da Brasilândia para as oficinas arquidiocesanas que acontece nos meses de setembro e outubro.
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Desde 05 de junho, data da primeira das 15 oficinas regionais, mais de 1.200 leigos participaram das discussões sobre os rumos que a Igreja Católica em São Paulo pode seguir, na busca por uma evangelização mais abrangente, acolhedora e participativa, que não se restrinja aos limites do templo de celebração.
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No decorrer das oficinas e também dos encontros paroquiais, os leigos da Brasilândia sinalizaram que a Igreja precisa estar atenta à realidade que a cerca. Os participantes apontaram situações que têm reduzido o impacto das recomendações da Igreja, como a pouca participação dos leigos batizados nos processos de organização popular, excesso de individualismo e competitividade das religiões no mundo do trabalho, despolitização das lideranças e falta de ardor coletivo para exigir que os políticos cumpram com as responsabilidades públicas inerentes ao cargo que ocupam.
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Muitos leigos também aproveitaram as oficinas para alertar sobre a degradação do meio ambiente - como a polução das águas, esgotos a céu aberto e falta de uma política de reciclagem eficaz; e para a necessidade de aprimoramentos nos serviços públicos de saúde. Houve ponderações também sobre as situações de injustiças, que dificilmente serão solucionadas apenas com doações aos necessitados, e que precisariam de atitudes mais efetivas que levem à emancipação de cada pessoa.
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Ao olhar para a Igreja Católica na Região Episcopal Brasilândia, os leigos manifestaram a necessidade de melhorias na gestão de comunicação, interna e externamente, solicitaram aprimoramentos nos processos de iniciação cristã, alertaram que é preciso renovar periodicamente as lideranças, pediram por maior difusão e freqüência das formações regionais e evidenciaram que o jovem ainda está distante da vida cristã, o que ocasiona impactos negativos em toda a sociedade.
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Após a realização de cada uma das oficinas regionais foi elaborada uma síntese de reflexões e propostas que serão encaminhadas às oficinas arquidiocesanas, onde serão debatidas a luz de orientações de documentos e diretrizes da Igreja. A Região Brasilândia terá 10 delegados em cada uma das oficinas arquidiocesanas. O envio destes será realizado na missa da Festa da Unidade que acontece no sábado, 28 de agosto, às 15h, na paróquia São Luis Gonzaga, localizada na Praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto, Pirituba. A celebração será transmitida ao vivo (tempo real) pelo Blog da Pascom Brasilândia.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Leigos pela caridade, justiça e solidariedade

Por Juçara Terezinha, pela Pascom Brasilândia

Dois temas de cunho social fizeram parte da reflexão das oficinas que ocorreram nos dias 06 e 07 de agosto na Região Episcopal Brasilândia, como parte do processo em preparação ao 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos.

Na noite da sexta-feira, 06 de agosto, com o tema Justiça e Solidariedade, foi realizada uma oficina na Igreja Santa Cruz de Itaberaba, coordenada pela equipe regional do Congresso, com assessoria do padre Alfredinho, da pastoral de Fé e Política.

O religioso suscitou diversas questões para o debate dos presentes, referente à prática dos cristãos na luta pela igualdade e cidadania. “Exigir e lutar para que a justiça social prevaleça é base evangélica. Está escrito na bíblia. É compromisso de todos os batizados”, destacou.

Durante a reflexão, os presentes opinaram sobre a temática e houve consenso de que o católico batizado precisa atender e participar dos processos de organização do povo. A justiça social é uma exigência evangélica.

No sábado, 07 de agosto, aconteceu no salão da Igreja Santos Apóstolos, a oficina com o tema Promoção da Caridade, comandada pela equipe da Cáritas Brasilândia e pela coordenação regional do congresso, com assessoria da professora PUC e da UNIBAN, Aldaísa Sposat. Cerca de 60 pessoas, na maioria lideranças ligadas as Obras Sociais e entidades assistenciais espalhadas pela Região, participaram desta oficina.

Aldaísa iniciou sua fala com um breve relato dos movimentos sociais e das lutas populares que originaram os grupos e as instituições hoje existentes na Igreja e que trabalham com as questões sociais e com a caridade. Ela ressaltou ainda que todas as situações que nascem de um determinado grupo, surgem a partir da luta popular, para posteriormente ter o reconhecimento do Estado na agenda pública. Portanto, as lutas sociais precisam de um atendimento e de um reconhecimento.

Na segunda parte da oficina, os grupos debateram as seguintes questões: O que distingue caridade de cidadania? Será que caridade não é também partilhar a condição de cidadão? O tema gerou reflexões sobre a missão dos cristãos na vida da comunidade e compromisso com a caridade. Nas falas dos representantes dos grupos apareceram desafios importantes. “Neste sentido a promoção da caridade precisa ir além do trabalho de ajudar as pessoas mais necessitadas com alimentos, roupas, remédios”, disse um dos presentes.

Também foi colocado em destaque que é dever de todos lutar para que as políticas públicas de Estado atendam essas demandas. Para isso, é necessário desenvolver ações de emancipação da pessoa. É preciso dar assistência imediata, mas há necessidade de se questionar os porquês de um determinado grupo estar sobre certa situação e condições de injustiça.

Fátima Giorlano, uma das líderes da Cáritas Brasilândia, lembrou do tripé que norteia as ações da Cáritas: Assistência, promoção e libertação. Se uma dessas dimensões não for alcançada, então os objetivos não serão contemplados. Ao final dessa oficina, assim como nas outras já realizadas, foram escolhidos os representantes para as oficinas em nível arquidiocesano.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Oficinas de leigos destacam educação e ecologia

Por Juçara Terezinha, pela Pascom Brasilândia

Mais de 140 lideranças da Brasilândia preocupadas com a educação e o meio ambiente participaram das oficinas regionais do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos no sábado, 31 de julho.

Em uma manhã de sol e clima agradável, 80 pessoas, incluindo agentes de pastoral, professores e educadores das comunidades participaram da oficina de educação no convento Santa Lúcia Filippini. O tema gerador do debate foi o panorama atual da educação na cidade de São Paulo.

O diácono Abelardo Franco, assessor da pastoral da educação, fez a introdução ao tema, na qual apontou alguns desafios para a Pastoral da Educação regional, entre esses a relação com as escolas e com os professores. Ele também destacou que a Pastoral da Educação tem dialogado para tentar resolver os problemas recentes. “Esta oficina veio em boa hora. Considero bom espaço para aprofundar e avançar este debate”, comentou.

A coordenadora de educação da Freguesia do Ó/Casa Verde, professora Maria Antonieta Carneiro, fez suas ponderações no encontro, destacando a organização do sistema de educação no município. Após um pequeno intervalo para o “cafezinho”, os participantes foram divididos em grupos para refletir sobre o panorama da educação, a partir de perguntas norteadoras.

Ainda no sábado, 31 de julho, na parte da tarde, ocorreu a oficina sobre ecologia no salão da Igreja Nossa Senhora da Expectação, Setor Freguesia do Ó. O encontro teve por tema ‘somos o sal da terra e luz do mundo”, sob a coordenação e animação da comissão regional do Congresso de Leigos e da equipe regional da Pastoral da Ecologia.

Ao chegar ao local da Oficina, os participantes encontraram um ambiente bem ecológico, com mudas de diversas espécies de plantas espalhadas pela sala. Cerca de 60 pessoas participaram do evento. O coordenador regional da Pastoral da Ecologia, Edir, motivou a reflexão inicial pautado no texto de Mt,5,13. ”Somos sal da terra e luz do mundo”. Edir ressaltou a necessidade de que sejamos este sal que dá sabor às coisas, que dá sentido a vida, e a luz que ilumina e aponta caminhos. Por isso, todos devem atuar na busca de meios para salvar o planeta.

Os membros da equipe regional Marcos Meneses e Anderson Campos conduziram a reflexão sobre o tema, quando apresentaram o trabalho da Pastoral na Região e abordaram as problemáticas ecológicas em âmbito local, municipal e mundial, tais como a situação da água, dos esgotos a céu aberto e outras degradações ambientais.

A problemática da reciclagem também foi tratada, especialmente no que se refere aos materiais pesados e altamente perigosos como baterias, eletrônicos, que são descartados de qualquer maneira. Também foi falado do projeto de coleta de óleo de cozinha, ainda descartado no ralo da pia ou colocado no esgoto em muitas residências.

As propostas das duas oficinas serão encaminhadas para o relatório final. Também foram escolhidos os representantes para as oficinas que irão acontecer na Arquidiocese.
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