sábado, 30 de outubro de 2010

Aprendizado das eleições para a Igreja e os fiéis

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

Talvez seu contato com esse texto, amigo leitor, se dê quando já conhecemos o novo ou a nova presidente do Brasil. Independente de quem for o eleito, que alívio, hein? As eleições acabaram. Claro, isso não acaba com a nossa responsabilidade de cobrar ações e posturas dos eleitos ao executivo e ao legislativo, pois isso é o trabalho mais nobre e difícil que exerceremos pelos próximos quatro anos.
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O alívio referido anteriormente se dá pelo fim da campanha eleitoral: uma das mais rasteiras que o país já vivenciou e que, infelizmente, teve as posturas de parte da Igreja Católica como o centro das atenções.

As eleições 2010 deixam para os bispos, padres, religiosos e leigos muitas lições: a primeira é o cuidado para que nós católicos não sejamos estimuladores da tomada do santo nome do Senhor em vão (nunca a santíssima trindade e o santos foram tão utilizados para a propaganda e o discurso político, foi lamentável).

O segundo, mas não menos importante aprendizado, é saber diferenciarmos posição oficial da Igreja (por exemplo da CNBB, do Sul 1 da CNBB, da Arquidiocese etc) de carta aberta ou mensagem de bispo X,Y,Z ao povo brasileiro. Apesar de não devermos ignorar as expressões de tais cartas e mensagens, elas não são a posição oficial da Igreja, que destaque-se optou pela neutralidade, ou seja, não repudiou, nem apoiou, candidatos ou partidos.

Para nós leigos, em especial, ficou o grande aprendizado de que precisamos ter um olhar crítico sobre grande mídia para não reproduzirmos em correntes de e-mail, blogs e redes sociais digitais discursos tendenciosos, factuais e desconexos. A forma rasteira como a problemática do aborto foi tratada nestas eleições demonstrou que, urgentemente, a Igreja precisa promover ações de formação política (leia-se bem, formação política e não formação partidária) com os fiéis.
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Em um dado momento dessa campanha, os presidenciáveis foram quase comparados ao “superman” ou à “mulher maravilha”, com poderes para aprovar, se eleitos, o que bem entendessem e a hora que quisessem, como que se para a revisão, emendas e criação de novas leis o Congresso Nacional não precise ser consultado, um absurdo, pois a aprovação das leis passa pelos legisladores e por vezes desemboca até em plebiscito nacional.

Apesar do caminho sinuoso do período eleitoral há muitas coisas a serem comemoradas. Pela sexta vez após a redemocratização do país elegemos um presidente por voto direto, houve espaço para a multiplicidade de vozes e para a contestação do oficialismo que tentou se transvestir de discurso oficial.

A equipe do Blog da Pascom Brasilândia deseja boa sorte ao novo ou a nova presidente da república e lembra que o exercício da democracia e da política deve ser feito cotidianamente por cada brasileiro e não apenas em ano eleitoral.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Missão Popular: alternativa pastoral na Brasilândia

Por Juçara Terezinha, pela Pascom Brasilândia

A Igreja da Região Episcopal Brasilândia, na cidade de São Paulo, é formada na sua maioria por comunidades pequenas com pouca estrutura e cercada de muitos problemas sociais. Uma das características que as mantêm firme na caminhada é o trabalho voluntário de evangelização e ação social desenvolvido pelas lideranças leigas, em sua maioria mulheres.

Na Brasilândia diversas paróquias estão encontrando na missão popular uma alternativa para enfrentar esses desafios e preocupações como um novo alento pastoral. Cada paróquia, com características próprias, desenvolve uma metodologia adequada à realidade que a cerca.

Na perspectiva de uma Igreja missionária aconteceu no domingo, 17 de outubro, o envio de 50 missionários, leigos e leigas durante a missa solene em comemoração aos 15 anos de criação da paróquia Santa Rita de Cássia, setor Nova Esperança.

Motivados pelo tema bíblico "Ai de mim se não evangelizar” (ICor 9,16), o primeiro lugar escolhido pelo grupo de missionários é uma área onde centenas de famílias pobres vivem em condições precárias e com muitas dificuldades, que fica nas extremidades da paróquia, num bairro conhecido como Mangue.

Os missionários receberam orientações de como proceder durante as visitas, sendo a escuta uma das atitudes mais importante, sendo necessário estar atento para detectar os sinais de Boa Nova que existem na vida do povo.

Cada missionário recebeu uma camiseta com uma cruz, como símbolo de identificação, além de uma cruz no peito, bíblia e folders, que trazem os objetivos da missão popular: Partilhar a Palavra de Deus e seguir Jesus Cristo; Fortalecer as comunidades e iniciar novos núcleos comunitários; Proporcionar vida e cidadania para todos. Consta também a oração da missão popular, as orientações gerais sobre o trabalho e os endereços das comunidades e horários de celebração e missas.

Essa iniciativa da missão popular faz parte das prioridades pastorais assumidas na assembleia paroquial, em fevereiro deste ano, com a preocupação de fortalecer os trabalhos missionários e pastorais das comunidades. "Ser missionário é ser anunciador, aquele que leva a mensagem de esperança àqueles que necessitam. A missão dos batizados é anunciar Jesus Cristo que por amor nos resgatou, mas nos quer próximos de si” comenta padre Cilto José Rosembach, pároco.

Anunciar Jesus nas casas, nas comunidades, nas cidades e vilas é missão de todos os batizados. É vocação, missão da Igreja, evangelizar, ser missionária. “Ide evangelizai...” (Mt. 16,15). "Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo, pois somos colaboradores na construção do reino de Deus, e amparados nos braços de nossa Senhora Nossa Mãe, anunciemos com alegria a grande mensagem de Salvação", exaltou Maria da Glória, leiga da Comunidade Nossa Senhora Aparecida.

O projeto missionário prevê ainda um levantamento da realidade social e religioso. As demandas sociais serão encaminhadas aos órgãos públicos responsáveis, e as demandas pastorais e sacramentais serão atendidas pela paróquia.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Região Brasilândia louva Nossa Senhora Aparecida

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

No dia da padroeira do Brasil, leigos e religiosos da Região Episcopal Brasilândia demonstraram ardor devocional em missas e procissões realizadas em diversas paróquias e partilharam os tradicionais bolos de Nossa Senhora Aparecida.

Para os fiéis da paróquia São Luis Gonzaga, setor Pereira Barreto, o 12 de outubro marcou a realização, pelo sexto ano consecutivo, do projeto Tietê, Esperança Aparecida. O padre Palmiro Carlos Paes conduziu a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida por 19 km das águas do Rio Tietê que cortam a cidade de São Paulo. Na chegada à Ponte do Piqueri, uma multidão aplaudiu o barco com a imagem e acompanhou a benção do Rio feita pelo bispo regional, dom Milton Kenan Júnior.

Após o trajeto fluvial, a imagem foi levada em carreata até a paróquia São Luís Gonzaga, onde aconteceu a missa de encerramento do projeto Tietê, Esperança Aparecida, iniciado em 22 de setembro. “A proposta do projeto é lembrar que o Rio Tietê é um presente de Deus e não um esgoto aberto na cidade. Que a passagem da imagem nas águas, conscientize o governo e a população da cidade a olhar o Rio Tietê como um presente de Deus, de forma que cuidem, não joguem lixo e não poluam as águas”, declarou o padre Palmiro, em entrevista à tevê Globo.

Em Taipas, também no setor Pereira Barreto, paroquianos da Nossa Senhora das Dores reuniram-se para celebrar o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de uma das comunidades da paróquia. Durante a missa presidida pelo pároco Airton Bueno, os jovens do grupo teatral Arte de Viver e do grupo Bom Pastor Jovem encenaram o encontro da imagem da padroeira, ocorrido em 1717 nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no Morro Grande, veiculada à paróquia Santa Rita de Cássia, setor Nova Esperança, os fiéis celebraram o dia da padroeira com a temática “sob olhar da Mãe Aparecida, caminhamos com Jesus”. A devoção demonstrada nas ruas por onde passou a imagem em procissão e a igreja lotada de fiéis, não deixaram dúvidas do carinho dos brasileiros por Nossa Senhora Aparecida.

“A devoção a Nossa Senhora Aparecida aumenta a cada ano, um pouco ajudado pela maior exposição das novenas nas mídias católicas. No Brasil, quem não tem outra santa de devoção é devoto de Nossa Senhora Aparecida”, destaca o padre Cilto José Rosembach, pároco da igreja Santa Rita de Cássia.

Outras paróquias da Região como a Nossa Senhora Aparecida, na Vila Zatt, e a São José Operário, no Jardim Damasceno, realizaram atividades especiais no dia da padroeira do Brasil, entre as quais celebrações voltadas para crianças.

sábado, 9 de outubro de 2010

2222: as eleições e os filhos de Francisco

Por Daniel Gomes, pela Pascom Brasilândia

O humorista cearense Francisco Everardo Oliveira Silva, 45 anos, foi o grande vencedor das eleições para a Câmara dos Deputados Federais, realizadas no domingo 03 de outubro, em conjunto com as votações para presidente da república, governadores, senadores e deputados estaduais. O palhaço Tiririca, personagem com o qual Francisco se travestiu no pleito eleitoral, obteve 1,35 milhões de votos, o equivalente a 6,35% dos votos válidos no estado de São Paulo.

Em um Estado democrático de direito, como o vigente no Brasil desde o fim da ditadura militar, nada impede que um palhaço, no sentido lato do termo, se candidate a um cargo público. A profissão é tão digna quanto qualquer outra. Porém, o problema que se coloca sobre a eleição de Francisco é o que representam os votos em Tiririca, seu personagem, agora legislador brasileiro, que para chegar ao Congresso Nacional valeu-se de bordões como “Vote Tiririca. Pior do que tá não fica”.

Tiririca é a sátira da imagem que parte do eleitorado tem sobre atuação dos legisladores brasileiros, algo como “já que aquilo é uma palhaçada, vou votar num palhaço”. Para o universo da ciência política esse é o chamado voto de protesto. “Me parece que no caso do Tiririca é um voto de protesto, digamos de uma maneira abrangente, um protesto contra tudo isso que está ai. O eleitor do Tiririca não está nem ai para o que o Tiririca fará ou deixará de fazer, este eleitor não se interessa e nem quer saber o que faz um deputado federal”, avaliou Cláudio Weber Abramo, analista político em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Com a quantidade de votos que recebeu, Francisco Everardo Oliveira Silva, ou melhor, Tiririca (PR), tornou-se pai de três deputados eleitos: Otoniel Lima (PRB), Vanderlei Siraque (PT) e Protógenes Queiroz (PC do B) chegam à Câmara na rabeira de Tiririca já que herdaram os votos excedentes do palhaço pelo chamado quociente eleitoral: esse expediente calcula, a partir da quantidade de votos válidos e das vagas disponíveis na Câmara, quantos votos um político precisa para se eleger. O que for excedente a esse valor é repassado à coligação pela qual ele concorreu e transferido automaticamente aos candidatos mais votados dessa coligação.

Os filhos de Francisco não são apenas os três deputados mencionados: esses são como recém-nascidos em uma família chamada debate político superficial, que deixa em segundo plano a função de legislador para colocar em evidência apenas os cargos executivos, numa abordagem ilusória de que o presidente e governadores podem fazer tudo e criar leis que bem entendem.

No primeiro turno das eleições, a grande mídia excluiu do debate político os legisladores e seus projetos e não enfatizou a importância de deputados e senadores para os rumos do país. Lamentavelmente, alguns sites e blogs mantidos por leigos católicos reproduziram a superficialidade dos debates sobre os candidatos ao executivo e não problematizaram o essencial: nenhuma lei é criada ou revista no país sem passar pela apreciação de deputados e senadores.

Alguns movimentos de leigos na Igreja que ajudaram a endemoninhar determinados candidatos ao executivo, por cartas abertas ou correntes de e-mail, esqueceram-se de que a aprovação de projetos de lei polêmicos como a legalização do aborto ou a pena de morte, por exemplo, passam pelo crivo do Congresso Nacional, como bem esclarece o artigo 66, da Constituição: “A casa (Câmara dos Deputados ou Senado) na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República que, aquiescendo (aprovando), o sancionará (confirmará)”. Portanto, como também destaca o inciso IV, do 84° artigo da Constituição, o presidente sanciona, promulga, publica e sugere leis, mas quem as discute e aprova é o Congresso.

A eleição expressiva de Tiririca deixa o alerta de que os formadores de opinião – sejam eles católicos, de outras religiões, agnósticos ou ateus - precisam problematizar os fatos políticos com repertório teórico e não apenas com a reprodução de discussões superficiais. Para nós católicos, nunca estarão em desuso as recomendações “Votar Bem”, externadas pelos bispos do Regional Sul 1 da CNBB, que sugerem que observemos o comprometimento dos legisladores com as questões como a superação da pobreza, melhor distribuição de renda, promoção de melhorias na educação, saúde, moradia, saneamento básico, segurança pública, superação da violência e de políticas que respeitem a vida e o meio ambiente.

domingo, 3 de outubro de 2010

Mutirão bíblico mobiliza fiéis no setor Jaraguá

Por Anderson Braz, pela Pascom Brasilândia

Os setores pastorais da Região Episcopal Brasilândia realizaram no domingo, 26 de setembro, o encerramento do mês na bíblia em Mutirão Bíblico. No Setor Jaraguá, a celebração começou pontualmente às 14h na Comunidade São Pedro, pertencente à paróquia Nossa Senhora da Conceição, no bairro Cidade D’Abril.

Dezenas de fiéis da própria paróquia e das outras igrejas do setor – Nossa Senhora da Paz, Mãe e Rainha, São Luis Maria de Montfort – estiveram presentes à celebração que refletiu o livro de Jonas “Misericórdia de Deus... Chamando à nossa conversão”.

A luz do lema do Mutirão “Levanta-te e vai a grande cidade”, o celebrante, padre Severino, estimulou os presentes a refletirem sobre as necessidades locais e clamou para que se atentem ao clamor dos excluídos diante das indiferenças, que às vezes começam nas próprias comunidades e paróquias, e são contrárias ao propósito de Deus. “Ele não faz não faz distinção e pede iniciativas fraternas e concretas de nossa parte, como fez na palavra de hoje Jonas”, destacou.

Nesse clima, os presentes rezaram o ato penitencial rememorando falhas e ausências. Posteriormente, representantes das paróquias e comunidades do setor alternaram-se na proclamação da Palavra e nas preces. Houve ainda um forte momento da Dinâmica em que os presentes acenderam finas velas e repassaram a luz uns aos outros simbolizando a responsabilidade de sermos luz nos dias de hoje, como o apóstolo Jonas foi a sua época. Formou-se um grande círculo, muito iluminado

No momento das ofertas, aconteceu a entrada de uma cesta de frutas, como sinal para que cada presente seja um bom fruto da palavra. Ainda com as velas acesas, o celebrante convidou a todos para que segurassem nas mãos dos outros, em sinal de missão. Depois, todos deixaram a Capela em uma grande corrente de luz até o salão de eventos da Comunidade, onde aconteceu o último ato do Mutirão, quando houve a partilha das frutas trazidas pelas comunidades. Após uma hora e meia de atividade, o Mutirão Bíblico 2010 no setor Jaraguá terminou com uma Ave Maria.
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