sábado, 7 de novembro de 2009

A segurança pública na pauta da Pascom

Por Daniel Gomes, jornalista e integrante da Pascom Brasilândia

O 15° Encontro Regional de Comunicação promovido pela Pascom do Regional Sul 1 da CNBB teve como enfoque a preocupação da Igreja com as políticas de segurança pública e revelou a pouca abrangência do discurso católico na sociedade atual. O tema do encontro "Meios de Comunicação e Segurança Pública" foi refletido por mais de 80 participantes, entre os dias 30 de outubro e 1° de novembro, em Barretos (SP).

Na manhã de sábado, 31, o professor Lindolfo Alexandre de Souza, coordenador da comissão da Pascom da Arquidiocese de Campinas (SP) palestrou sobre a realidade da comunicação na sociedade e a maneira como a Igreja comunica-se com os fiéis. Lindolfo destacou que o mundo atual está alicerçado na comunicação, especialmente através das grandes mídias e redes sociais digitais, e que a Igreja deve evangelizar nesses espaços, opondo-se à lógica do consumo, que gera competição e, por consequência, comportamentos violentos.

A comunicação feita pela Igreja deve ser acompanhada de um amplo diálogo, interno e externo, e de ações cotidianas efetivas. "O grande desafio da Igreja na era midiática é ampliar o diálogo com a sociedade sem perder suas referências de evangelização", enfatizou.

Ainda no sábado, na parte da tarde, o casal Cloves e Marilse Costa, integrantes da Pastoral Carcerária Nacional, apresentaram dados sobre a realidade da população carcerária do país: existem mais de 450 mil presos em regime fechado, dos quais 86,5% não têm profissão. Os palestrantes destacaram as condições desumanas nas quais são mantidos os presos, o desamparo legal que sofrem e a falta de políticas públicas eficazes de ressocialização. Na avaliação de ambos, essas situações colaboram para o aumento da insegurança pública. "É uma bomba-relógio, se nada fizermos, vai explodir. Cada vez investimos mais em cadeias e menos em educação", lamentou Cloves.

Os palestrantes pediram uma participação mais incisiva da Igreja nas discussões de segurança pública. "Temos que falar sobre segurança pública na Igreja. Só precisamos saber como. Questionar pode ser um bom caminho. Essa é uma oportunidade para a Pascom comunicar para dentro", avaliou Marilse. Os palestrantes também abordaram a banalização da violência na mídia e debateram questões polêmicas como a privatização de presídios e o uso da força de trabalho dos presos nas obras da Copa 2014.

Após a palestra e baseados nas reflexões do encontro, os participantes reuniram-se nos grupos das oito sub-regiões do Sul 1 para o encaminhamento de propostas de ações da Pascom. No domingo pela manhã, cada grupo partilhou suas deliberações. Os apontamentos indicaram que a Pascom pode colaborar na discussão sobre a segurança pública, ao pautar a mídia sobre o tema, divulgar os trabalhos da Pastoral Carcerária e promover formações de comunicação com enfoque na temática da segurança pública.

Católicos na Conferência Nacional de Comunicação
No fim das atividades, houve uma reflexão sobre a participação dos católicos, em especial os agentes da Pascom, na etapa estadual da Confecom, que acontece em 21 e 22 de novembro na Assembléia Legislativa de São Paulo. "Temos a preocupação de que alguns grupos da Confecom decidam coisas que sejamos contrários. Tem gente querendo ganhar espaço e que não defende os ideais cristãos. Precisamos nos articular, irmos à conferência e termos delegados na Confecom", conclamou dom Vilson de Oliveira, bispo referencial da comunicação do Regional Sul 1 da CNBB.

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