sexta-feira, 12 de março de 2010

Mulheres da Brasilândia: 20 anos de caminhada

por Juçara Terezinha, pela Pascom Brasilândia
Com tema "mulheres em ação solidária", e o lema "mulheres transformando a economia", as mulheres das comunidades da Brasilândia realizaram em 07 de março, no CEU Anhanguera, um encontro em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres e aos 20 anos de caminhada da Pastoral da Mulher na Região.

O encontro iniciou-se com uma calorosa acolhida, seguida por um momento de mística. Para entender melhor a situação da violência doméstica contra as mulheres foi apresentada uma encenação sobre a vida de Maria da Penha, mulher que motivou a criação da lei Maria da Penha que pune, com cadeia, o agressor. As cenas retrataram a situação das mulheres vitimas da violência, que sofrem caladas, sendo agredidas por homens que, às vezes, tem a imagem de bom pai e trabalhador, o que desencoraja as denúncias de violência.

A encenação também fez referencia às 129 mulheres que se revoltaram contra os patrões em Chicago, nos Estados Úmidos em 1857 e foram assassinadas pela polícia. Mas o sangue e a coragem destas mulheres que tombaram juntaram-se a outras milhares de mulheres no mundo e a luta ficou ainda mais forte.

Ornela, da Pastoral da Mulher, lembrou que a pastoral luta para que todas tenham vida em abundância. Ela também apresentou um folheto com explicações sobre onde as mulheres podem buscar ajuda para poder se libertar da violência e até mesmo da morte. Recentemente, no setor São José Operário, duas mulheres de comunidades foram assassinadas pelos próprios maridos.

Fátima Giorlano, também integrante da Pastoral, motivou um momento de reflexão sobre o tema do encontro e a CFE 2010 que aborda a Economia e Vida. "O termo economia, tem sua origem do grego OIKOS, a grande casa. Fez uma relação com as prioridades que podemos fazer com o dinheiro. Criar laços entre as pessoas, de convivência mais próxima em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais", explicou. "Fazer opção pela economia solidária não é fácil, mas precisamos ser persistentes e acreditar que a economia, pode sim, estar a serviço da vida e não a vida a serviço da economia", completou.

Ana Maria, mulher negra recém-formada em Serviço Social, falou da situação das mulheres negras no mundo do trabalho. Muitas vezes, as mulheres não acreditam que há diferença entre os gêneros. Ela também fez memória de como foi o processo de inserção das mulheres negras no mercado de trabalho e lembrou das negras ganhadeiras e das peixeiras. "Os homens são parceiros. Eles se defendem e isso não acontece entra as mulheres" polemizou Ana Maria.

Graça Lima, outra participante do encontro, falou dos direitos das mulheres. "Todos são iguais em direitos, mas isso esta só no papel", destacou. Ela leu um texto bíblico que retrata a vida das primeiras comunidades, onde a solidariedade era vivenciada.

Presente no evento, dom Milton Kenan Júnior, bispo da Região Brasilândia, disse que as mulheres precisam ser respeitadas, valorizadas e reconhecidas pelo trabalho que desenvolvem nas comunidades. Também parabenizou as mulheres da Brasilândia pelo encontro e todas pelo Dia Internacional das Mulheres.

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