domingo, 21 de novembro de 2010

Encontro reúne familiares de presos e egressos

Por Juçara Terezinha, pela Pascom Brasilândia

A Pastoral Carcerária Padre Macedo, da Região Episcopal Brasilândia, realizou no sábado, 14 de novembro, um encontro com cerca de 30 pessoas no centro comunitário, da paróquia Santa Rosa de Lima, Perus. Além dos agentes da equipe regional, participaram diversas pessoas egressas e familiares de pessoas encarceradas em diversas penitenciarias e cadeias na grande São Paulo, sendo que a de Franco da Rocha e Osasco concentram a maioria dos presos.
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O descaso do poder judiciário com as pessoas pobres encarceradas, a falta de assistência tanto por parte do estado bem como da Igreja no acompanhamento das famílias que buscam ajuda, a falta de oportunidades para as pessoas que cumpriram penas e os baixos salários pagos a uma pessoa egressa foram os principais assuntos que norteou o debate dos participantes.
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Padre Aécio Cordeiro fez referência à pesquisa que aponta que cerca de 70% das pessoas que cumpriram penas, acabaram retornando ao cárcere privado. “Esta pesquisa revela a falta de oportunidade para estas pessoas. também esta relacionada com a situação de vida”. : “Como é possível uma pessoa egressa viver com menos de um salário mínimo por mês”? desabafa.
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Para o jovem Everaldo, essas pessoas precisam de oportunidade, de apoio de trabalho, escolas de qualidade. “Nós queremos ser tratados com respeito, com dignidade pela sociedade. Somos todos filhos de Deus”. Durante o encontro, diversos depoimentos foram relatados pelas mães de como os agentes penitenciários tratam os encarcerados. “É revoltante, saber que seu filho é tratado pior que os animais” denuncia F.R.D. “O atendimento a saúde é de péssima qualidade. As pessoas que tem algum tipo de problema de saúde não são medicadas e muito menos tem direito a um tratamento adequado”, relada Cida.
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A equipe da Pastoral Carcerária tem feito um esforço sobrehumano para atender as inúmeras famílias que não tem condições de pagar um bom advogado. Outros procuram por ajuda social como alimentação, moradia e saúde. “Somos poucos para fazer muita coisa. Não temos recursos financeiros”, fala angustiada Nice.

Aparecida de Oliveira, 65 anos fala da luta que foi para libertar a filha que ficou presa na penitenciaria feminina em Santana. “Foram 9 meses de muito sofrimento. Minha filha, mãe de duas meninas, inclusive uma é especial, trabalhava e fazia faculdade de pedagogia. Tudo por cauda de uma briga foi parar atrás das grades. Gastei o que não tinha com advogados, más quase nada adiantou. O que me salvou foi ter conhecido esta gente maravilhosa da Pastoral Carcerária. Foi com ajuda dessa equipe que minha filha conquistou a liberdade em 14 de setembro deste. Em 05 de outubro começou a trabalhar,”desabafa emocionada Aparecida.
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Sandra Regina Duarte, agente comunitária, falou sobre o andamento do projeto do Pronasc (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que já iniciou o trabalho em cinco áreas da Brasilândia com objetivo de fazer um levantamento sobre a situação das pessoas egressas e articular as forças no sentido de encontrar alternativas para as famílias e os egressos.
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Também foi lembrado do seminário com o tema: encarceramento em massa, símbolo do estado penal. O estado brasileiro no banco dos réus organizado pelo tribunal Popular que acontece nos dias 7,8 e 9 de dezembro na Faculdade de Direito, largo São Francisco. Diversas pessoas mostraram interesse em participar.
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O encontro terminou um momento de oração onde diversas pessoas lembraram de algum pessoa da família encarcerada e depois de uma benção, todos participaram de um delicioso almoço preparado pelas lideranças da paróquia Santa Rosa de Lima, Perus.

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